Negócio de R$ 2,7 bilhões coloca Barro Alto no centro da corrida por controle de recursos minerais estratégicos
Uma transação de US$ 500 milhões envolvendo uma planta de níquel da Anglo American, localizada em Barro Alto, no Norte de Goiás, colocou o estado no centro de uma disputa geopolítica entre China, Europa e Brasil. A operação, revelada pela Folha de S. Paulo, marcou a entrada da estatal chinesa MMG no mercado brasileiro, com a compra da unidade de Barro Alto, outra planta em Niquelândia e dois projetos adicionais em desenvolvimento no Pará e Mato Grosso.
“Vou ser muito honesto. Meu preço foi de US$ 900 milhões. Coloque-se no meu lugar. Quando você dá um preço muito superior, espera pelo menos uma ligação explicando” afirmou Yıldırım à Folha.
A movimentação aumenta o domínio chinês sobre o níquel global, mineral considerado vital para a transição energética. A Corex calcula que, com a compra da MMG, mais de 60% da oferta mundial esteja sob controle de empresas ligadas a Pequim. O caso ainda está em avaliação na Europa.
Goiás na vitrine
O Mais Goiás já havia destacado que as terras raras localizadas em Goiás estavam no centro da disputa geopolítica internacional. Em entrevista concedida para o portal no final do julho, o presidente do Sindicato das Indústrias Extrativas de Goiás (SIEEG), Luiz Antônio Vessani, destacou o potencial goiano para minérios críticos como níquel, terras raras, ouro, cobre, nióbio, fosfato e tântalo. De acordo com ele, a presença de empresas chinesas e a pressão internacional sobre ativos estratégicos são reflexo do valor dessas reservas.
“Nós temos todo esse arsenal de insumos que Japão, China, Estados Unidos e Europa estão buscando. Cobre, por exemplo, está em tudo que é sistema elétrico. Níquel entra em ligas de aço inoxidável. O ouro também é essencial na indústria de tecnologia”, afirmou ao Mais Goiás.
“Os americanos podem buscar alternativas fora do Brasil se não houver uma negociação firme. Isso pode gerar desemprego aqui. É preciso agir rápido” alertou o presidente do sindicato.
Mais que níquel
Além do níquel, Goiás abriga um dos únicos depósitos de terras raras em argila iônica fora da Ásia, em Minaçu. A região já é considerada estratégica por órgãos internacionais. As terras raras são fundamentais para a indústria aeroespacial, de defesa e para tecnologias verdes, como carros elétricos.
Nova disputa à vista
O caso de Barro Alto pode ser apenas o início de um novo ciclo de tensão internacional envolvendo ativos minerais no Brasil. De acordo com a Folha, o Cade já foi acionado para analisar possíveis impactos na concorrência com a entrada da MMG. A Comissão Europeia também avalia se abre investigação formal. Enquanto isso, Goiás vê sua posição estratégica se fortalecer no tabuleiro global dos minerais críticos.