Religioso tinha sido denunciado pelo MP-GO por apropriação indébita, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Investigação do MP teria encontrado desvios milionários de dinheiro doado por fiéis.
Por Rafael Oliveira, g1 Goiás
A sexta turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou nesta terça-feira (15) mais um pedido feito pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) para retomar a investigação contra supostos desvios de dinheiro da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe) enquanto o padre Robson de Oliveira era presidente da entidade.
O advogado Pedro Paulo Medeiros, que defende o padre na Justiça, explicou que a decisão do ministro Olindo Menezes não muda nada no processo, que já está arquivado definitivamente. Segundo o advogado, este foi o quarto recurso rejeitado pelos ministros.
O Ministério Público de Goiás informou por meio de nota que vai recorrer da decisão.
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Padre Robson de Oliveira, em Trindade, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
O religioso tinha sido denunciado pelo MP por apropriação indébita, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro doado por fiéis. O padre Robson sempre negou irregularidades enquanto presidiu a Afipe.
“Nada muda no processo. Só confirma a decisão do TJ-GO que sustou a investigação. O processo foi arquivado definitivamente e vai continuar. A decisão do STJ é de que não há motivos para a reabertura das investigações”, esclareceu Pedro Paulo Medeiros.
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MP deflagra operação da Afipe, em Trinadade e mira padre Robson em Goiás — Foto: Montagem/G1
O ministro Olindo Menezes explicou que é possível o ingresso de agravo contra decisão da presidência ou vice-presidência de Tribunais de Justiça quando o recurso especial é inadmitido, o que não é o presente caso.
“Não é necessário o julgador enfrentar todos os precedentes citados pela parte recorrente, ainda mais o que se verifica é a inadmissibilidade recursal”, declarou o ministro durante a sessão.

Entenda o bloqueio
Em outubro de 2020, o Tribunal de Justiça determinou que as investigações fossem interrompidas por entender que não estavam presentes os crimes apontados pelos promotores. Após recursos, o caso foi para o STJ, que em maio do mesmo ano, manteve a investigação bloqueada.
À época, o desembargador Olindo Menezes considerou que as provas usadas pelo Ministério Público durante a operação foram compartilhadas de maneira ilegal de outra apuração.
O MP entrou com recursos pedindo a retomada da investigação, o que foi rejeitado pelo ministro Olindo Menezes em todos os julgamentos.

Investigação do MP
O Ministério Público de Goiás investigava, em 2018, supostos desvios milionários de dinheiro doado por fiéis à Afipe. Esse dinheiro, segundo promotores, deveria ter sido usado na construção da nova Basílica de Trindade e manutenção da entidade e ações para os fiéis.
O processo criminal foi trancado no Tribunal de Justiça e, posteriormente, o inquérito civil público também. A partir daí, iniciou-se uma disputa judicial para dar andamento aos processos entre o MP e a defesa do advogado.
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Obra da nova Basílica de Trindade, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Vendilhões
A Operação Vendilhões surgiu após uma investigação que apurou uma série de extorsões feitas por hackers contra o padre para que um suposto relacionamento amoroso dele não fosse divulgado. Ao todo, o padre pagou R$ 2,9 milhões com dinheiro da Associação dos Filhos do Divino Pai Eterno (Afipe) em troca do arquivamento das mídias.